“Não é porque virou parque que tem lixo”, assegura SOS Itaguaré

Recente publicação afirmando que a Praia de Itaguaré, em Bertioga, estaria repleta de lixo, justamente após a criação do Parque Estadual da Restinga gerou certo incômodo a alguns moradores da área. Mesmo antes de estar sob a tutela do Estado, a praia não tinha, como não tem até hoje, lixeiras, limpeza da praia ou qualquer tipo de ordenamento para o uso. O lixo e o problema do mau uso do espaço são problemas antigos. É o que assegura o criador do blog SOS Itaguaré, Romeu Caiçara. Ele é quem promove a limpeza da praia, sozinho ou em mutirões. O SOS Itaguaré também atua na proteção da fauna local, como na foto em que Romeu segura uma preguiça, resgatada esta semana pelo DOA (Diretoria de Operações Ambientais) e encaminhada para o Centro de Reabilitação da Riviera de São Lourenço. Lá, a espécie passará por veterinário, ficará de quarentena e depois será reencaminhada à mata.

Outro lado

Por outro lado, nesta terça (12), durante sessão da Câmara de Bertioga, o vereador Toninho Rodrigues (DEM) elogiou a referida reportagem publicada e afirmou que não é contra a criação do parque estadual, só quer a preservação do local. Rodrigues ressaltou, porém, que o município ainda não teve retorno por parte do Estado acerca das questões habitacionais, da dívida ativa e da compensação ambiental da área do parque.

Confira abaixo, a entrevista com Romeu feita pelo JCN (Jornal Costa Norte), nessa semana:

JCN – Depois que virou parque, a Praia de Itaguaré está cheia de lixo?

Romeu – Não, não, não… Não é porque virou parque que tem lixo. Eu faço este trabalho de recolher lixo há muitos anos. As duas pilhas de lixo que aparecem na matéria não foram deixadas lá pelos porcalhões. A gente [blog SOS Itaguaré] vai recolhendo o lixo na areia, ao longo da praia e colocando fora da maré, porque se não ele retorna e mata os animais. Recolhemos semanalmente animais mortos por conseqüência do lixo. Essa semana foi uma tartaruga de pente, com 1,80m e mais de 400 kg, morta com saco plástico dentro da garganta. Sempre teve lixo. Tanto o Estado quanto a prefeitura nunca cuidaram direito da praia.

JCN – Enquanto o prometido investimento na manutenção do parque não vem, o que a população pode fazer para preservar a praia?

Romeu – É importante divulgar para o público que freqüenta Itaguaré para que se conscientize e não jogue lixo lá, pois não existe limpeza ou coleta públicas no local. Não adianta nem ensacar o lixo e largar lá. Tem que levá-lo para casa ou até a lixeira mais próxima. Outra coisa é pedir para as pessoas não andarem à cavalo na praia, suja muito. Os quadriciclos, motos e mesmo os Jet-skis são outro risco para a fauna local.

JCN – E a preguiça da foto?

Romeu – Estava coletando resíduos sólidos, quando vi um casal mexendo em algo no chão. Era uma preguiça de mais ou menos 10 kg, com uns 50cm de altura. Estava na areia da praia em um dia ensolarado. Eram por volta das 10h. Retirei-a da praia, já que havia perigo do animal ser atacado pelos cachorros ou ser atropelada pelos cavalos e quadriciclos que correm nas areias de Itaguaré.

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