A adoção de animais adultos

Este é um artigo independente. As informações contidas são de integral responsabilidade de seu autor.

*Maíra Eugênia Caralli

O Centro de Controle de Zoonoses de Bertioga está lotado de animais para adoção, e especificamente de animais adultos, mas, desta vez, vamos tratar apenas de cães…
Ao começar a escrever este texto, a pedidos de muitas protetoras que trabalham voluntariamente no CCZ, eu me dei conta de um certo déjà-vu: eu já vira, conhecera e escrevera a respeito! Procurando em meus arquivos, eu achei um de meus textos publicado em 5 de setembro de 2015 sobre o tema: por ser atemporal e pertinente eu o reproduzo a seguir em itálico…
Com exceção da Hebe, uma rottweiler que ganhei “ainda no ventre da mãe” (a cadela mais dócil e amorosa que já conheci!), todos os cães que já tive e tenho vieram das ruas. Nunca pude dizer suas idades, apenas estimá-las.
Todos chegaram com algum problema comportamental. Lembro-me da primeira vez em que a Rebecca urinou-se ao ver meu pai com uma vassoura nas mãos; o Fox abaixava as orelhinhas e tremia ao ouvir um caminhão, veículo que fora responsável pelos seus pinos e defeitos nas pernas; a Nina nunca suportou uma guia presa à sua coleira, chorava e se contorcia em agonia profunda; a Susi ainda não admite nem mesmo que lhe afaguem as patas (ela tem uma grande cicatriz que mostra que já sofreu uma fratura severa na pata esquerda traseira); o Negão entra em pânico com qualquer tipo de ruído alto, mas principalmente de vozes humanas, corre a se esconder e urina onde estiver; a Bolinha levou mais de seis meses para vocalizar qualquer tipo de som; a Mel precisou de mais de um mês para se aproximar de alguém da família (seu pote de comida tinha de ser colocado bem longe de todos e ela se isolava) e a Orelhinha “roubava” a comida dos outros mesmo sem ter comido a sua …
Exemplos? Eu tenho aos montes! Entretanto, os cães de “minha matilha” são felizes, ativos e carinhosos. Mesmo aqueles que não conseguiram superar seus traumas, e ainda demonstram algum tipo de reação negativa, responderam de forma estupenda ao convívio com a família! Nenhum deles é agressivo, todos respeitam os líderes da matilha (nós, humanos) e aprenderam com rapidez as regras da casa. Para tanto, bastaram respeito aos medos do animal e muita afetividade – sem castigos, sem broncas.
Só não podem faltar, por parte de quem adota, o amor verdadeiro e a paciência para educar e fazer o animal superar ou aprender a controlar os traumas adquiridos pela vida passada nas ruas ou durante o período de convivência com um dono criminoso.
Na verdade, poucas coisas na vida podem ser equiparadas ao prazer de conduzir um animal (devemos, aqui, incluir o humano) a uma vida feliz e equilibrada.
Abaixo, algumas fotos de animais disponíveis para adoção no CCZ: rua Manoel Gajo, 2.644, Parque Estoril, de segunda a sexta-feira, das 8 às 17h; telefone 3316 4079. Todos, sem exceção, foram resgatados das ruas, de donos criminosos ou apenas abandonados amarrados às grades do CCZ. Alguns já são idosos e sofrem muito pelo medo e pela solidão causados pelo abandono.

*Maíra Eugênia Caralli é presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais

Fotos: Maíra Eugênia Caralli

Este é um vovô! Retirado de uma acumuladora

 

 

 

 

 

Esta é jovem. Tem uns 7 meses. Dócil e encantadora. Resgatada na Av. Anchieta.

Poodle grande. Muito dócil. Um doce. Deixado amarrado na grade do CCZ.

Esta foto é um “antes” de uma cachorrinha retirada de um lar em que sofria maus-tratos. Chegou esquelética e apavorada ao CCZ. A foto a seguir é um “depois” dela, já gordinha e sociável.

A foto do “depois”…

 

 

 

Notícias Relacionadas

Comentários estão fechados

Sistema Costa Norte de Comunicação