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Com criação de Parque Municipal aumenta o contínuo ambiental na região

Beleza do lugar com suas águas límpidas impressionam

No final deste mês de janeiro foi a vez de Bertioga ter um olhar ainda mais sustentável e criar o Parque Municipal Ilha Rio da Praia, em 216,56 hectares, que corresponde a mais de 2 milhões de m². O espaço, que pode ser chamado de ‘ilha fluvial’ também faz divisa – por meio de rios – com parte de área do Parque da Restinga e, automaticamente com o da Serra do Mar, o que aumenta ainda mais todo esse corredor natural.
O novo ambiente de conservação fica localizado bem próximo de território urbano, entre os bairros Vista Linda e Jardim Rafael. É cercado por dois rios, o Itapanhaú e um de seus afluentes, o Rio da Praia, também chamado de Rio da Prata. Era uma área particular com 88 proprietários de lotes de 20 mil m², no mínimo, administrada pela Aproaqua (Associação dos Proprietários do Sítio Rio da Praia), que agora passará por processo de desapropriação amigável.

Convênio Cetesb
O recém-convênio firmado com a Cetesb, no qual Bertioga passa a ter maior autonomia no licenciamento ambiental de pequenos lotes, deve ajudar na forma de compensação ambiental do município. Parte dos recursos obtidos a partir dessas compensações será usada para custear a desapropriação da área e outra parte para a manutenção do local.
“O proprietário de um lote [em área urbana] poderá escolher em fazer a compensação ambiental no próprio parque”, detalha o engenheiro florestal e secretário municipal de Meio Ambiente de Bertioga, Rogério Leite, acreditando que grande parte dos interessados deverá utilizar tal procedimento.

Ganho geral
Leite ressalta o contínuo ambiental formado a partir dos três núcleos, os parques da Serra do Mar, da Restinga e o do Rio da Praia. “Esse é um dos pontos fortes. Foi comemorado, inclusive, pelo pessoal da Fundação Florestal. É uma célula municipal, com vegetação tanto de mangue quanto de alta e baixa restinga, banhada por dois rios. Vamos ter uma situação de estuário mesmo para colaborar com o parque estadual. Acho que ganhamos todos”, calcula.
Ana Carolina, da Fundação Florestal, concorda e complementa: “Representa um grande ganho do ponto de vista ambiental, uma vez que efetiva a proteção entre diversos ecossistemas, garantindo a conectividade entre os mesmos, bem como integrando e ampliando um mosaico de áreas protegidas, pois também está ligada ao Parque Estadual da Serra do Mar, a APA Marinha Litoral Centro e às Reservas Particulares do Patrimônio Natural recém-criadas.”

Projetos a caminho
E entre os principais projetos que devem ser desenvolvidos no Parque Municipal Ilha Rio da Praia estão os de cunho turísticos, baseados no conceito de uso sustentável. O principal deles é a implantação da sede do Núcleo Orquidófilo de Bertioga, o NOB. O grupo foi formado em razão dos amantes locais de orquídeas e da quantidade de espécies nativas da planta existentes em Bertioga – são mais de 150. “O que já está mais avançado é o NOB, montado ano passado”, prevê o secretário de Bertioga.
Outra ideia diz respeito à criação de um meliponário, com abelhas indígenas sem ferrão, que pode vir a gerar ganhos para a sociedade. O mel extraído desse inseto tem grande valor nutricional e financeiro [quem sabe possa até ser criada uma cooperativa que forneça o alimento para as escolas e, de quebra, ainda possa atrair a atenção de muitos visitantes, talvez renomados especialistas brasileiros do setor na cidade].
O plantio e cultivo de plantas medicinais da Mata Atlântica, do palmito jussara (para obtenção da fruta do palmito, que tem rica concentração de vitamina C) e do fruto cambuci são outras possibilidades a serem desenvolvidas no parque municipal. A decisão do destino da área, entretanto, só deve sair num prazo de três meses (dois meses com o término das primeiras vistorias técnicas e 90 dias com as compensações ambientais a serem feitas).

Sem conflito
Ainda assim, o secretário municipal não exclui, por momento, a possibilidade de a área abrigar todos esses projetos, simultaneamente. “Com certeza dá. Pelo tamanho da área e por não existir conflito entre os projetos, um não concorre com outro”, diz. “Tudo isso, fora a questão turística, pois o parque pode ser acessado tanto pela vegetação como também pelos rios”, completa Leite, ao anunciar que desde 2010, Bertioga busca verba junto ao Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos) na obtenção de um barco-escola para uso em educação ambiental. O intuito é atender a rede de ensino e, futuramente, até turistas. “Ano passado, não conquistamos a pontuação necessária, mas quem analisou o projeto gostou e disse que temos grande chance. As inscrições vão até março e já atualizamos o projeto para concorrermos novamente”.

Sonho antigo
Independentemente do destino oficial do espaço, o senhor Roy Stuart Beck, de 74 anos, um dos proprietários de lotes no local, festeja. Ele é um dos membros da Aproaqua, que cuida da área há 25 anos e, incansavelmente, lutava pela criação do parque há pelo menos 24 meses.
Vitória é a palavra-chave em sua opinião, a partir da assinatura do decreto por parte do prefeito Mauro Orlandini. “Vai ser possível dar segmento a área que estava abandonada e é muito rica ambientalmente”, comemora, ao sugerir a implantação de outro projeto, este voltado a uma espécie de caranguejo, o guaiamum, cuja casca possui a substância quitina, utilizada em tratamento de saúde.

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