O presidente do senado comanda a selvageria

No dia 6 de junho, o presidente do Senado, o sr.Eunício Oliveira, promulgou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que regulariza a realização das vaquejadas. A tal PEC, que também libera os rodeios, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) no dia seguinte, 7 de junho.
No texto da Emenda, absurdo e abjeto, está escrito que “não se consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam manifestações culturais“. Se tortura é esporte e utilizar animais é uma manifestação cultural, temos de revisar os livros de história e incensar as arenas romanas… Aliás, poderíamos ir além e revivê-las usando as mesmas arenas dos rodeios. O próprio sr.Eunício Oliveira poderia trocar aquele ridículo chapéu de vaqueiro que vestiu para sair na foto “comemorativa” por um elmo ornado pelas figuras que compõem o seu conglomerado agropecuário – quem sabe não se tornasse o Spartacus tapuia do século XXI?


Como a acefalia parece ser condição sine qua non para que alguém se torne um congressista no país, não vou entrar em detalhes sobre as próximas etapas desta novela de mau gosto porque seria inútil; opto, então, por uma breve descrição do que ocorre nesta “demonstração cultural” chamada vaquejada que se resume em dois vaqueiros montados a cavalo que correm atrás de um boi e devem derrubá-lo pegando-o pelo rabo. Como se vê, pelo resumo, além da destreza em se manter em cima de um cavalo e entortar o corpo, é necessário que se tenha um intelecto da melhor qualidade para participar e, principalmente, para assistir…
E vamos às explicações para que o “espetáculo esportivo-cultural” tenha êxito:
1. Não basta gritar “BUUUU” para o boi assustar-se e sair desembestado pela arena, então, eles isolam o boi e o enchem de chicotadas para que a dor e o pânico o façam correr descontrolado.
2. Os cavalos que são montados pelos exímios vaqueiros também precisam ser, digamos, estimulados para a corrida desenfreada, e nada melhor do que chicotes no lombo e esporas que lhes cortem o ventre.
3. Pronto: adrenalina garantida para os animais nas arquibancadas que urram, perdão, “comemoram” aos berros.
Efeitos colaterais que podem exigir que um boi (ou vários ou talvez até um cavalo por exaustão…) seja retirado e outro menos “frouxo” seja colocado em seu lugar: como o rabo do boi é agarrado com força, torcido e tracionado até que  o animal, exaurido, seja derrubado, muitas vezes os ossos são quebrados, a pele e os tecidos são esfarelados e o rabo cai; há o risco de fraturas múltiplas nas patas e pernas (pelo deslocamento violento entre os cavalos, as quedas e os pisoteamentos); são comuns as lesões vertebrais e medulares, e também dos órgãos internos pela ruptura dos vasos sanguíneos.
Depois de tudo isto, data venia, incito os  adeptos do politicamente correto (eufemismo para a mais crua hipocrisia) a pensarem melhor sobre “cultura de massas”, pois estamos cheios de “culturas” que são lixo puro. E é uma pena que sejam estimuladas e repassadas às gerações futuras.
Observação importante: a promulgação desta PEC idiota já  é alvo de três ações no Supremo Tribunal Federal (STF). Os processos foram apresentados pelo procurador-geral da República, sr. Rodrigo Janot, solicitando que derrubem as leis que autorizam a prática no Amapá, Paraíba e Bahia seguindo os exemplos do Ceará e Rio de Janeiro onde as leis aprovadas foram consideradas inconstitucionais por “tratamento violento e cruel aos animais”.

Foto: Reprodução/Internet

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