PDT e PR apresentam proposta de administração conjunta

Lairton e Pereira: novamente parceiros políticos

O anúncio da semana passada de apoio do PDT ao PR de Bertioga, visando as eleições de 2012, feita pelo presidente do Partido Republicano, Valdir Sem Teto, abriu as discussões políticas na cidade. Esta semana, o JCN (Jornal Costa Norte) repercute o assunto com o presidente do PDT, Eduardo Pereira, que também é vice-prefeito, e com o ex-prefeito Lairton Goulart, filiado ao PR. Ambos confirmaram que trabalharão juntos para “apresentar uma proposta de administração conjunta. Outro nome aventado semana passada e já confirmado no grupo é o do ex-vereador e atual assessor de Gabinete da prefeitura, Luiz Henrique Capellini. Ele já pertenceu ao PR, migrou para o PDT e, nesta sexta-feira (20) tornou a se filiar ao PR.

Lairton fez questão de deixar claro que não pediu apoio do atual vice-prefeito, que até este ano era ainda secretário de Serviços Urbanos e foi exonerado pelo prefeito Mauro Orlandini (DEM), nessa gestão. “Convidei para que ele [Eduardo] viesse participar do meu grupo. Pedir apoio é ter interesse nos votos, convidar a participar do grupo é mostrar interesse pela pessoa”, disse Lairton.

À disposição

A definição de candidaturas para o pleito do ano que vem depende da legislação eleitoral, entretanto, os grupos que começam a se formar já podem dar uma ideia da disputa municipal que irá ocorrer. Segundo Pereira, seu nome está à disposição do PDT para uma pré-candidatura para as eleições majoritárias ou proporcionais. “Prefiro me candidatar a vereador”, afirmou Eduardo.

O ex-prefeito também já adiantou sua intenção de disponibilizar seu nome para concorrer, mas novamente ao cargo de prefeito. “Todos sabem qual é meu plano de governo: é uma continuidade do que já fiz”, comentou Lairton, que governou a cidade de 2000 a 2008.

Amigo

Pereira vê no convite do PR uma oportunidade de criar uma proposta boa de administração para a cidade. “Não fui convidado simplesmente para apoiar uma possível candidatura”. Já Lairton, reconhece a importância política de Pereira, mas o vê como um homem trabalhador e idôneo, que pode fortalecer o seu grupo político. “O que me fortalece espiritualmente é a presença do amigo”.

Cassação

É impossível não mencionar um episódio do passado recente, quando a Câmara, cujo um dos integrantes era Eduardo Pereira, aprovou a cassação do então prefeito Lairton. Na época, ano de 2006, os vereadores responsabilizaram o prefeito por supostas irregularidades nas obras de construção de casas populares e por superfaturamento. Em 2008, o TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de SP) concedeu resultado favorável ao manter a nulidade do processo de cassação.

Para Pereira, na época, “a interlocução foi um problema”, além da pressão política do momento. “A avaliação dos fatos me levou a votar daquela forma. Não falhei naquele momento, mas acho que a justiça está aí para corrigir qualquer falha que por ventura eu possa ter cometido”, comentou o vice.

“Foi imbróglio [o processo de cassação] causado por falta de comunicação entre Executivo e Legislativo”, opinou Lairton. Para ele, o processo tomou um rumo que perdeu o controle. “É uma página virada. Não gosto de olhar para trás” completou.

Demissão

Capellini confirmou, no final da tarde desta sexta (13), por telefone, que se desfiliou do PDT e assinou sua ficha de filiação no PR. Além disso, apresentou seu pedido de demissão ao prefeito Orlandini.  

À reportagem do JCN, ele também confirmou que passa a fazer parte do grupo de apoio a Lairton e que pretende apresentar o seu nome para uma pré-candidatura a vereador.  “Achei que a proposta do grupo é boa. Tive uma votação expressiva na última eleição, e não entrei. Sinto segurança no PR, com as possibilidades que existem”, considerou Capellini, que não foi eleito em virtude do quociente eleitoral.

Sobre sua saída da atual administração, ele afirmou que foi tranquila e não houve divergência. “Minha decisão de apoiar o Lairton não tem relação com meu trabalho na prefeitura”.

“Fomos vítimas de estelionato político”, afirma Pereira

A declaração de Pereira sobre a realização de um trabalho conjunto com o grupo de apoio ao pré-candidato do PR, possível opositor a atual administração, torna a pergunta inevitável: existe um ‘racha’ entre prefeito e vice? Pereira responde: “O PDT hoje não tem compromisso com a gestão atual. Fomos vítimas de estelionato político”. Vale lembrar que na gestão Lairton Goulart também ocorreu um suposto racha com o então vice Zeca do Gás.

Pereira alega que construiu uma base eleitoral durante o último pleito, estabelecendo metas de trabalho, mas que foram “ingeridas”.

No início deste ano, a notícia da exoneração de Pereira do cargo de secretário de Serviços Urbanos gerou polêmica, quando ele anunciou que a sua demissão teria ocorrido “no meio da rua”, enquanto trabalhava.

Ao ser questionado se o que foi prometido durante a campanha pelo então candidato não havia sido cumprido, Pereira comenta, sem dar maiores detalhes: “Fomos convidados para fazer parte de um projeto maior, eu só não imaginava que esse projeto tivesse o tamanho de uma pessoa e não de uma cidade”.

Comando paralelo

O vice-prefeito também fez críticas à forma de administração, alegando que sentia não ter domínio das ações. “Existia um comando paralelo, que não partia do próprio gestor, que era quem deveria fazer”.

Após deixar o cargo de secretário, Pereira deixou também a sala que ocupava na pasta e permanece sem um local de trabalho no Paço Municipal. Entretanto, ele afirma: “Isso não me impede de exercer minha função. Na ausência do representante maior, posso substituí-lo. Se isso acontecer estarei preparado. Mas enquanto não acontecer minha função é concluir o mandato até 31 de dezembro de 2012”, informou, lembrando que trabalha em seu escritório particular, no centro da cidade.

Prefeito

O prefeito Orlandini foi consultado a respeito das afirmações de Pereira, entretanto, não retornou as ligações da reportagem do JCN.

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