Ernaninho questiona posturas e aponta falhas da atual administração

Vereador concedeu entrevista ao programa Café da Manhã, na TV Costa Norte

Em seu terceiro mandato como vereador, Ernane Primazzi (PSC), o Ernaninho, tem mostrado uma postura equilibrada em sua atuação na Câmara de São Sebastião. Esperando-se uma atuação oposicionista ferrenha, Ernaninho surpreende ao participar de diversas reuniõesrealizadas com a atual gestão, debater amigavelmente proposituras e, inclusive, ter votado favoravelmente em todas as demandas feitas à casa pelo Executivo – não sem antes apontar falhas a ser sanadas, levantar questionamentos razoáveis e buscar melhorar as proposituras. Uma atuação madura e que supera as rivalidades esperadas, haja vista o cenário doperíodo eleitoral passado, quando o vereador e o atual prefeito estavam em palanques opostos.

O vereador, que integra o chamado G-6, grupo de oposição moderada, concedeu entrevista exclusiva ao Sistema Costa Norte de Comunicação, quando fez uma avaliação da atual administração, das dificuldades de carregar o nome do ex-prefeito e sobre a atuação do grupo G-6.

Nova gestão

Sobre a nova gestão e mudanças nos direcionamentos administrativos, Ernaninho lamenta a interrupção de alguns projetos, mas afirma esperar que o cenário municipal avance neste mandato.“Têm coisas que gostaria que dessem continuidade, mas espero que tudo ande e para melhor.Felipe Augusto fez diversas promessas de campanha que, se cumprir a metade, será o paraíso, e espero de verdade que as coisas caminhem.Agora, na prefeitura, ele tem a visão da realidade, porque de fora se julgava muito, e depois que está lá dentro e vê a real situação, passa a buscar algumas muletas para justificar para a população sua atuação.A fiscalização dessa atuação, esse é o meu papel”.

Ernaninhodiz que uma das falhas da atual administração é insistir em justificar os erros de governo como reflexos da gestão passada.  “Na campanha, ele dizia que faria uma gestão com para-brisa enorme e retrovisor pequeno, e o que temos visto é o contrário. Tudo ele diz que é culpa do ex-prefeito, só que eu vejo as afirmações errôneas, manipuladas”.Sobre as afirmações do atual prefeito Felipe Augusto, de que a prefeitura está em dificuldades por causa de dívidas deixadas pela gestão passada, o vereador afirma que o cenário desenhado não é real. “Não existe prefeitura que não deixe dívidas no fim do ano, até porque tem sempre os vencimentos imediatos futuros, corriqueiros. Ele entrou com um ou dois meses de atraso em contas, o que é muito comum, inclusive, se pensarmos na situação das administrações da região. À exceção de Ilhabela, todas estão com dificuldades econômicas. Ele (o prefeito) não pegou uma cidade com dívidas, e, sim, com empenhos – coisas que, se não quiser, não precisa usar”.

Segundo o vereador, além da dívida em montante relativamente comum para o cenário nacional, o ex-prefeito teria garantido uma grande entrada aos cofres públicos, que já supriu as dívidas e gerou ampla folga. “O Ernane ganhou na Justiça a ação com a Petrobras, que rendeu já mais de R$55 milhões para os caixas da prefeitura,ainda em janeiro deste ano, e mais R$80 milhões entraram agora há pouco – dinheiro liberado para o Felipe fazer o que quiser, menos pagar cartas-precatórias e salários.  As contas que ele encontrou quando assumiu, de cerca de R$34 milhões, já foram supridas. Dinheiro tem, e muito, mas ele segue usando essa desculpa de que não tem verba”.

Para Ernaninho, essa postura de administrar olhando para trás, até o momento, tem gerado uma atuação política constrangedora. “Fica esse tanto de obra parada por picuinha; sustaram cheques-salários de servidores comissionados que saíram no fim da gestão passada, uma perseguição tão feia que já ficou chato. O que eu sinto é que essa desculpa, esse retrovisor deturpado, tende a acabar. Uma hora, ninguém mais engole essa desculpa, não cola mais”.

Apesar do discurso duro, o vereador afirmaque não é oposição, e que tem mantido uma postura equilibrada no Legislativo. “Não me vejo como oposição. Sou vereador da cidade, eleito pela cidade. O que eu avaliar como não sendo favorável, vou debater. O que for bom, eu aprovo, como tenho feito. Nem quando eu era filho do prefeito eu falava amém para tudo. Sempre questionei. Sigo assim”.

Integrante do G-06, grupo de seis vereadores (dos doze eleitos na Câmara) que não integram a base situacionista, Ernaninho afirma que, mesmo com uma postura questionadora, o grupo também não deve ser caracterizado como de oposição.“Não é um grupo para fazer circo ou arruaça. Fazemos um trabalho sério, e nossas indagações estão, inclusive, ajudando o prefeito, apontando erros crassos que chegaram em projetos encaminhados ao Legislativo, corrigindo-os antes de aprová-los. É um grupo coeso. O Onofre Neto (DEM) é o líder, por conversar muito com o prefeito, ter bom acesso, e pedimos para ele representar nossas demandas e dúvidas junto à administração. Da mesma forma, o prefeito procura por ele quando quer ter acesso a nós. O Neto é um cara bem apaziguador, o que permite essa situação que eu nunca vi: um grupo de vereadores sólido, questionador, mas que não faz oposição gratuita. Tanto é que, apesar de debatermos e termos feito questionamentos que levaram a alterações, temos aprovado todos os projetos do Executivo”.

Mesmo aprovando os projetos, algumas posturas do prefeito são amplamente criticadas pelo vereador, como a ação impetrada na Justiça pela prefeitura na qual solicita alterações na Lei Orgânica do Município. “Nós, do G6, somos contra. Temos dois vereadores servidores, que com a alteração proposta ficariam sujeitos a pressões do prefeito, podendo ser prejudicados profissionalmente e acabarem à mercê do Executivo.Isso não pode”.

Além da medida que sugere alterar benefícios de servidores em cargos de vereança, outras demandas são criticadas. “Outra proposta é acabar com o prazo dos requerimentos, nossa maior arma de cobrança. Se não está satisfeito com o prazo atual, de quinze dias, vem e conversa, podemos aumentar para 30, 45 dias. Agora, extinguir o prazo é acabar com a relevância e validade desse instrumento de fiscalização da casa.Veja bem, não estamos falando de indicações, que tratam de assuntos mais simples. Os requerimentos envolvem questões mais sérias, urgentes, relevantes. E ele quer poder simplesmente ignorá-las”.

Outra das demandas propostas nas ações judiciais diz respeito às audiências públicas de prestação de contas, realizadas quadrimestralmente pelas secretarias. “Felipe Augusto quer que essas prestações ocorram apenas anualmente. Não podemos deixar a população tanto tempo no escuro sobre as atividades da prefeitura. Como controlar desmandos em um intervalo tão grande?Ele também pede que secretários não tenham a obrigatoriedade de morar no município. A meu ver, enquanto estiver atuando na pasta, o secretário tem, sim, que morar na cidade, viver a realidade e contribuir com o município”.

Para Ernaninho, o que mais surpreendeu foi a ação ter sido impetrada na Justiça sem antes a busca por um consenso com os membros da casa. “O erro foi não conversar, não buscar o Legislativo para chegar a um meio termo. Ele quis apenas impor a vontade dele. Não aceitaremos.Se a Justiça acatar, por um acaso, nós vereadores entraremos também com ação judicial”, conclui.

São Sebastião

Marina Veltman

Foto: JCN

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