Guarujá fomenta inclusão na rede municipal de ensino com atendimento especializado

Programa de Educação Bilíngue oferece professores especialistas na área da deficiência auditiva, além de instrutores de Libras

Um assunto que muitas vezes deixa de ser discutido, a educação de surdos no país foi o tema da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) neste ano. Em Guarujá, a inclusão é uma realidade nas escolas municipais. A prefeitura, por meio da Secretaria de Educação, promove uma série de ações entre esses estudantes e, somente na rede, conta com 50 alunos, entre surdos e deficientes auditivos.

A prefeitura revela não haver segregação, eles estudam com os demais alunos nas escolas: Dirce Valério Gracia, Napoleão Rodrigues Laureano, Almeida Júnior, Jacirema dos Santos Fontes e Neim Ernesto Sobrinho. Para isso, é disponibilizado o Atendimento Educacional Especializado (AEE), por meio do Programa de Educação Bilíngue, desde a educação infantil. Além da sala de aula, esses estudantes também usufruem de atividades no contraturno escolar. Por meio deste programa são oferecidos professores especialistas bilíngues na área da deficiência auditiva, instrutores de Libras (língua brasileira de sinais), salas de recurso multifuncional (que complementam o terceiro momento didático pedagógico no ensino da língua) que trabalham em um sistema parceria.

Para o próximo ano, a proposta da Secretaria de Educação é contratar mais dois intérpretes para reforçar o atendimento na cidade, que atualmente conta com 19 intérpretes na rede municipal. Anualmente são investidos cerca de R$ 420 mil especificamente para estas contratações.A Seduc também informou investir em equipe profissional, infraestrutura e material de apoio pedagógico.

A Escola Municipal Professora Dirce Valério Gracia, por exemplo, possui seis alunos, entre o 6º e 9º ano, mais três intérpretes. Além disso, os professores passam quinzenalmente, por capacitação durante a Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC).

O vice-prefeito e secretário de Educação de Guarujá, Renato Pietropaolo, destaca que as deficiências não podem ser tratadas como impedimentos. Disse ele: “Nossa função como gestores da pasta que considero a mais importante na transformação de nossa sociedade é a de proporcionar iguais condições a todo e qualquer cidadão no exercício de seus direitos legais. Por isso não temos poupado esforços na formação de professores especializados no atendimento a todo tipo de deficiência e nos cuidados para que tal atendimento seja determinantemente profícuo”.

A escrita

A diferença na escrita comum da escrita do surdo é um dos pontos ressaltados pela pedagoga bilíngue Márcia Pereira, também responsável pela sala de recursos da EM Dirce Valério. Ela explica que a escrita do surdo é assemelhada à tradução da língua inglesa. Disse ela: “Nossa ênfase é o ensino bilíngue (libras e português). Eles normalmente falam: ‘prova matemática hoje’, e diferente do que falamos: ‘Hoje vou fazer uma prova de matemática’. Ela é mais objetiva que a nossa, por isso aceitem a escrita do surdo!”.

Na sala de recursos da Unidade, a instrutora de libras da Unidade, Maria Cristiane Freire de Santana Santos, fala que a capacitação é fundamental por promover a comunicação do surdo com o professor e sua comunidade escolar.

A aluna do 9º ano, Flávia Aparecida Aguiar de Souza, de 16 anos, portadora de deficiência auditiva, contou que tinha dificuldades com o português. Ela disse: “Graças à Sala hoje me relaciono muito melhor com meus amigos”.

Estudante do 8º ano, Alana Aparecida Santos da Silva, 15 anos, do 8º ano, disse que sofreu bullying pela surdez algumas vezes. Ela ressalta: “Já me acostumei, mas hoje ignoro esse tipo de atitude. Gosto de aprender a escrita, tenho me esforçado e gosto bastante daqui”.

Entenda as diferenças

Surdo – usa a libras como língua; pouco oraliza; capaz de fazer leitura labial; consegue compreender o português

Deficiente Auditivo – tem perda parcial de surdez, consegue ser bilíngue (libras e português).

Por que o correto é língua de sinais e não linguagem? – A Libras é uma língua,  possui sua própria gramática; uma das línguas oficiais do Brasil e a primeira língua da comunidade surda.

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