Milhares de pessoas cruzam diariamente os mais de três quilômetros de extensão da Avenida Dona Ana Costa, em Santos, no litoral de São Paulo, sem saber que, por trás do nome da via, há uma bonita e trágica história de amor.

A avenida quase corta Santos de fora a fora é um híbrido entre rua comercial e residencial. São shopping centers, apartamentos, toda sorte de comércio coexistindo na avenida.

É considerada uma ótima localização imobiliária, muito visada por quem busca apartamento em Santos, seja apartamento novo, seja usado. Um dos motivos é a localização, que, dependendo do número na avenida - como no trecho que cruza o Gonzaga, Santos - fica a poucas quadras da praia com vista livre para o mar. Tem opções imobiliárias que vão das médias, com 02 dormitórios, até as mais suntuosas, com banheiro social, área de serviço vasta, mais de uma vaga de garagem e banheiro social.

Ela começa na região norte da ilha, aos pés do Monte Serrat, que separa seu começo do centro da cidade e vai em direção ao sul quase até as areias da praia de onde é separada pela Av. Presidente Wilson.

Nesse caminho, a avenida Dona Ana Costa separa diversos bairros santistas. Cruza os bairros Gonzaga, Encruzilhada e Vila Belmiro, entre outros. Separa a Vila Matias do Jabaquara, a Encruzilhada da Vila Belmiro e faz a fronteira entre o coração do Gonzaga e o Boqueirão.

Bairros importantes da cidade, cada um com sua respectiva história, atravessados por uma avenida que leva o nome de Ana Costa. Em meio a predominância de ruas com nomes de homens, a rua leva o nome de uma mulher.

A via recebeu o nome de Ana Costa em 1921, há exatos 100 anos, como última homenagem de um marido moribundo, morto de morte matada, à sua esposa, Ana Costa.

Anna Costa nasceu em Maricá, no Rio de Janeiro, e foi para Santos após casar-se com Mathias Casimiro Alberto da Costa, um latifundiário de origem portuguesa proprietário de grandes extensões de terra em Santos, algumas delas, relatam historiadores, resultado de grilagem.

Em 8 de maio de 1889, Mathias Costa trabalhava vistoriando obras à beira da via que levaria no nome de sua esposa, quando foi abordado pelos irmãos Olívio e Antônio Batista de Lima, membros de uma família tradicional da região, tida por muitos como respeitável.

Menos de um mês antes, a avenida havia recebido o serviço de transporte de passageiros e cargas em bondes. Embora jornais da época tenham noticiado que Casimiro Matias havia doado lotes de terra de sua propriedade para a criação da via, dando a ele uma aura de grande benfeitor, segundo o historiador Sérgio Williams, do portal Memória Santista, a maior parte das terras que compunham a avenida pertencia a outras pessoas.

Os irmãos Lima e Matias Costa eram antigos desafetos e essa disputa por terra está no cerne do conflito entre eles.

Após ser abordado pelos irmãos, na manhã daquele oito de maio, Mathias, então com 35 anos e pai de cinco filhos com Ana Costa, acabou levando um tiro de revólver na cabeça.

Ele foi ferido na testa, acima do olho esquerdo, mas não morreu na hora. O atentado havia acontecido às 11h30, porém o falecimento de Mathias ocorreu às 14 horas. Ele permaneceu mais de duas horas vivo mesmo com um tiro na cabeça. 

Nesse ínterim, agonizando, Matias teria revelado um último desejo de que a Avenida em que ele trabalhava no momento levasse o nome de sua esposa, Dona Ana Costa. A via já era chamada por esse nome desde 1887, dois anos antes da morte de Matias, mas o nome só foi oficializado em 1921 por um ato da câmara.

A morte de Matias chocou Santos na época. O bairro Vila Matias foi batizado com esse nome em sua homenagem. A Avenida Ana Costa também foi a primeira da cidade a ser asfaltada e a receber luz elétrica.