Com o objetivo de diminuir o absenteísmo e reter talentos inestimáveis, as companhias têm buscado oferecer o melhor benefício empresarial. Muitos se perguntam, no entanto, qual seria ele: plano de previdência privada? Plano de saúde aceito em hospitais de grande porte? Parcerias com academias e escolas de dança?

É difícil dizer, com toda a certeza, qual das vantagens é mais interessante para o trabalhador. Uma vez que as vidas e os anseios são diferentes, algumas pessoas podem considerar que determinados benefícios são melhores que outros.

A grande pergunta é: tal circunstância pode ser considerada um benefício empresarial? A seguir, falaremos um pouco mais sobre o assunto. Confira.

Orientação financeira é um benefício empresarial?

Podemos dizer que sim, uma vez que problemas no campo financeiro provocam imenso impacto na vida profissional e pessoal dos colaboradores, fazendo com que se sintam instáveis, percam em rendimento e, em alguns casos, adquiram enfermidades de ordem emocional.

Pensando por este lado, é extremamente importante, tanto para o trabalhador quanto para a empresa, que a educação financeira seja frequentemente debatida e estimulada no ambiente de trabalho (e fora dele, claro).

Infelizmente, não temos a cultura de cuidar do nosso dinheiro: não aprendemos, desde cedo, a guardar pequenas fatias do que ganhamos a cada mês. Da mesma forma, celebramos quando sobra algo do salário, porque podemos gastá-lo com coisas pontuais, como idas a bares, restaurantes mais caros, etc.

Não se trata, convém dizer, de limar a diversão do trabalhador: uma vez que se dedica ao seu ofício, ele merece usufruir dos benefícios de seu esforço. Comer fora de vez em quando, comprar uma roupa nova ou sair para comemorar com a família e os amigos são coisas que colaboram para a manutenção da saúde mental.

O que é importante aqui é entender que é possível fazer isso e ainda chegar ao final do mês com o saldo positivo.

Como pode ser oferecido o dito benefício?

Algumas organizações têm oferecido workshops sobre o assunto, educado seus colaboradores acerca de investimentos e, em muitos casos, promovido reuniões, eventos fechados e até encontros privados entre funcionários e especialistas em educação financeira.

Existem muitas formas de educar uma pessoa acerca de seu comportamento com o dinheiro. A utilização de testes, geralmente em reuniões ou consultorias, também é praticada.

Através dos testes, é possível identificar o perfil de cada funcionário e, assim, auxiliá-lo no processo de identificação de objetivos e criação de uma linha de ação.

Criando futuros investidores

Existem três tipos de perfis: o endividado, o equilibrado e o investidor.

Como se pode imaginar, pessoas no primeiro grupo não conseguem quitar as suas contas e, frequentemente, têm dívidas no cartão de crédito, nome sujo ou similares. A cada mês, já que não conseguem zerar os seus débitos com o banco, podem se endividar mais.

Para que saiam desta situação, existem duas opções: primeiro, podem buscar novas fontes de renda, através de horas extras; segundo, podem pegar um empréstimo, quitar todas as dívidas e, assim, ficar com apenas uma conta para pagar no final do mês.

De nada adianta, porém, pegar um empréstimo e zerar seus compromissos se não houver modificação dos hábitos financeiros. Não é incomum que pedir empréstimos se torne um vício - e o resultado disso, infelizmente, não é bom.

O segundo perfil é equilibrado, ou seja, trata-se de um colaborador que não possui dívidas, mas que termina o mês com uma quantidade de dinheiro mínima. Por conta disso, não tem reservas financeiras (também chamadas de "reservas de emergência").

Por que é importante ter dinheiro aplicado ou guardado? Porque imprevistos podem ocorrer.

Por menos que desejemos, podemos perder nossos materiais de trabalho - um computador quebrado, por exemplo, pode fazer com que tenhamos que contrair uma nova dívida -, sofrer acidentes ou gastar mais para cuidar de nossa saúde física e mental.

Se não temos uma fonte de renda extra, a chance de trocarmos de perfil - de equilibrado para endividado - é real.

A meta, no fim, é estimular que os profissionais de um espaço busquem entrar no terceiro perfil: o de investidor. Desta forma, além de terem uma reserva financeira para ocasiões excepcionais, poderão se planejar para adquirir patrimônio, pagar a faculdade dos filhos, fazer viagens e até melhorar a aposentadoria.