Especialmente depois da Reforma de Previdência, que alterou significativamente a nossa forma de lidar com o trabalho e as expectativas para a melhor idade, cada vez mais pessoas têm buscado informações sobre esse investimento. Ainda há bastante dúvida, no entanto sobre o resgate previdência e suas particularidades.

Muitos se perguntam: é possível apostar na Previdência Privada para organizar a vida a curto prazo? Deixar o dinheiro aplicado por menos tempo do que o usual, visto que diversas pessoas tendem a manter o investimento por anos - e até décadas - vale a pena? A seguir, falaremos sobre o assunto. Confira.

Vale a pena aplicar o dinheiro por pouco tempo?

Aqueles que desejam adquirir rendimentos que serão revertidos em pagamentos mensais na posteridade devem ter em mente que isso leva tempo. Assim, uma aposentadoria confortável virá depois de dez anos ou mais de investimentos na previdência privada, a depender do valor do aporte mensal.

Para aqueles que desejam investir para realizar desejos pontuais, como uma viagem que não cabe no orçamento no momento, a mudança de um automóvel ou a entrada de uma casa, pode fazer sentido aplicar o dinheiro por um tempo mais curto do que o habitual.

É preciso, no entanto, que o investidor faça boas escolhas entre os planos de previdência privada disponíveis e encontre um tipo de tributação que dialogue com as particularidades de sua situação. Falaremos mais sobre isso a seguir.

VGBL e PGBL: qual é a melhor opção?

Existem dois planos de previdência privada: o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) e o Programa Gerador de Benefício Livre (PGBL).

O PGBL geralmente é preferido pelas pessoas que têm salários maiores e, por isso, fazem a declaração completa do Imposto de Renda. 

Isso tem motivo: quem está nesse perfil, ao optar pelo PGBL, pode abater da base de cálculo do IR até 12% do total da renda bruta tributável. Para tal, vale salientar, é preciso também contribuir regularmente para o INSS. 

No caso do VGBL, a situação muda um pouco de figura: trata-se de um plano de previdência privada mais interessante para aqueles que fazem a declaração simplificada do Imposto de Renda.

A diferença maior entre os dois está na tributação que incide sobre os investimentos no ato do resgate: enquanto os que optam pelo VGBL pagarão impostos apenas sobre os rendimentos do investimento, os que optam pelo PGBL terão que pagar impostos sobre o total (aportes mais rendimento).

Tipos de tributação

Existem, além de dois planos de previdência privada, dois tipos de tributação. Ou seja: além de escolher se você deseja PGBL ou VGBL, você deve escolher se prefere que os seus investimentos sejam tributados pela tabela progressiva ou pela tabela regressiva.

Na tabela progressiva, as alíquotas de Imposto de Renda variam de 0 a 27,5%, da depender do valor que será recebido no ato de resgate do investimento. Na menor alíquota, de 7,5% estão as pessoas que recebem valores de R$ 1.903,99 a R$ 2.826,65; na maior, estão os que ganham acima de R$ 4.664,68.

No resgate, há o recolhimento de 15% na fonte e, depois, o imposto pode ser compensado na declaração de Imposto de Renda.

A tabela regressiva faz mais sentido para quem deseja manter o seu dinheiro aplicado por uma década ou mais, visto que, nela, as alíquotas caem ao longo do tempo. 

Para que possamos entender o impacto disso: as contribuições começam em 35%, para aportes feitos em até dois anos, e caem 5 pontos percentuais a cada dois anos também. Isso significa que, após dez anos do aporte, a alíquota chega a 10%. É uma diferença enorme.

Qual é a melhor opção para quem quer investir a curto prazo?

A sugestão é optar pelo VGBL, uma vez que se trata de um investimento que pode servir como um “seguro pessoal” ou uma “reserva de emergência”, e escolher a tabela progressiva.

Por quê? Vamos lá: como o imposto a pagar no momento do resgate é mais alto no caso do PGBL, quem faz o saque do dinheiro pouco depois do início do plano tende a ter prejuízo.

Da mesma forma, quem opta pela tabela regressiva e mantém o dinheiro aplicado por dois anos pagará alíquotas altas, maiores do que as que ele pagaria se tivesse optado pela tabela progressiva.