São mais de 300 associados, 14 diretores e uma infinidade de atividades diárias, semanais e mensais. O ambiente é muito agradável, limpo, arejado e decorado com flores. Todos os frequentadores, entretidos entre jogos de mesa e de salão, demonstram tranqüilidade e alegria pela convivência harmoniosa que desfrutam na sede localizada à margem do Rio Itapanhaú. Assim é o Grupo Vivência, fundado em 3 de abril de 1994, com o objetivo de manter a vida ativa de quem já passou dos 55 anos.

À frente desta instituição, Lydia Altomani Sanchez, 75 anos, uma mulher que, já à primeira vista, encanta devido aos seus belos olhos verdes que faíscam e expressam grande energia. No falar, no sorrir, nos gestos, ela deixa emergir a força de uma mulher guerreira que, há 12 anos, dedica-se diariamente, das 14 às 18 horas, ao sucesso da instituição. "Eu chamo isto de oásis e gosto muito do que faço, pois conto com uma diretoria muito boa", justifica.

Jogos, festas, bailes, competições regionais, bingos, cursos, bazares beneficentes...A lista de atividades do Grupo Vivência é grande e dona Lydia destaca o apoio a um grupo de 50 idosas carentes.

"Uma vez por mês elas vêm aqui. Nesse dia, realizamos uma festa com bolo e refrigerante e depois entregamos cinco pacotes de leite para cada E um conforto poder ajudar". A entidade já tem uma lista de espera uma de mais 30 senhoras e conta com o apoio de agências bancárias e comerciantes locais para ampliar o atendimento.

O Grupo Vivência também abre suas portas para toda a população, por meio dos cursos de tay-chi-chuane inglês. Os interessados devem entrar em contato pelo telefone 3317 5665.

Tempo para poesia

Entre tantas correrias do dia-a-dia, Lydia Altomani Sanches, que conheceu Bertioga na década de 1970 e adquiriu moradia definitiva em 1984, ainda encontra tampo para escrever. A noite, na tranquilidade do Bairro Vista Linda, ela se dedica à poesia. Já escreveu mais de 50, todas inspiradas nela mesma e nos acontecimentos do cotidiano, como a intitulada Estrada da Vida (no quadro), na qual ela mostra toda a beleza de sua alma benemérita. Mas, a poetisa não pensa em publicar sua obra. “A minha poesia é do tempo de antigamente, com rima, não acho que agrade", afirma equivocada, porque arte e talento nunca saem de moda.

Estrada da vida

Se você quer plantar na estrada da vida,

Tem que saber curar feridas, de quem não conheceu,

Enxugar lágrimas e ajudar, até, o inimigo seu.

Dar pão ao pobre que pede, saber que não se mede,

O valor da boa ação.

Olhar o sol com alegria, lutar noite e dia,

Por ser esta a sua missão.

Não deixar o cego perdido, ajudar sempre, sem distinção.

Saber que a vida é feita de lutas, pequenas alegrias,

Tristezas e, por vezes, até de pavor.

Cheia de problemas, tropeços, surpresas e incertezas,

Para testar nossas fraquezas, saber se temos valor.

A vida, minha querida, nada mais é que uma estrada,

Que pode ser florida, dependendo somente de nós.

Semear a bondade, viver com humildade, procurando fazer o bem

Ajudando quem passa ofegante, não olhando a quem.

Desta forma, ela se torna sublime, suave, cheia de satisfação,

Não sentiremos as agruras da vida e descobrimos a solução,

De como trilhar na estrada, sem sentir a solidão

Até chegar a hora da partida, para uma nova vida,

Bem mais evoluída, onde na certa iremos colher a plantação.

Lydia Altomani Sanchez

  

Enfim veio a luz...

...e, com ela, Bertioga ganha sua primeira rainha

Quarta- feira, 8 de dezembro de 1965. Nesse dia a população de Bertioga saiu da escuridão e, com festa, viu brilhar, pela primeira, as luzes da cidade.

Lampiões e lamparinas foram jogados para o alto e queimados, num gesto simbólico de liberdade. Houve churrascada, torneio de futebol - vencido pelo Itatinga Futebol Clube, baile com orquestra, queima de fogos e coroação da Miss Luz.

Diná Rodrigues Martins, hoje com 62 anos, foi a primeira a desfilar a beleza da mulher bertioguense. Aos 18 anos, foi escolhida para marcar a data. "A chegada da luz foi um marco para a cidade. A partir dessa data, deixamos de acordar com o nariz preto", diz, referindo-se aos lampiões de querosene usados pelas famílias mais humildes.

Com o mesmo sorriso simpático que se vê nas fotos da época, ela conta que não houve concurso ou algum tipo de processo de seleção para a escolha da representante de tão importante data. A escolha foi um acaso, como define. “Como na história da gata borralheira", diz sorrindo, e continua: “eu não saia, não ia bailes e não sei por que fui escolhida pela professora Edilene Sudan”, diz modesta, sem levar em conta sua inegável beleza ainda visível.

A coroação aconteceu na sede do Bertioga Futebol Clube, com a presença de representantes da comunidade. Como lembrança, ela ainda guarda o vestido, a faixa, a coroa e uma foto, na qual aprece ladeada pelo então sub-prefeito de Bertioga, Alberto Alves e a professora santista, Edilene Sudan. A mesma foto foi publicada anos mais tarde (1981), no jornal Cidade de Santos, em homenagem aos 16 anos da chegada da iluminação pública em Bertioga. Registros da história da cidade.