Os mais de 400 alunos do ensino fundamental da Escola Estadual Vicente de Carvalho , em bairro homônimo, aguardam para retornar os estudos na quadra esportiva da Escola Estadual Armando Bellegarde, no centro de Bertioga. No local, serão construídas oito salas de aula para que os alunos do 6º ao 9º estudem até que o governo do estado de São Paulo encontre um espaço adequado para alocá-los.

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Os alunos do ensino médio, que já estudavam no período noturno, estão utilizando as salas da Escola Estadual Maria Aparecida Pinto de Abreu Magno, também no Centro, que não conta com programação no período.

As medidas foram tomadas para que os alunos do bairro Jardim Vicente de Carvalho não ficassem sem aulas, dado que a escola estadual está interditada devido a problemas estruturais desde junho de 2019.

A distância entre as duas unidades (Vicente de Carvalho e Bellegarde) é de 2,2 km a pé e 4 km de carro ou ônibus. Já entre Vicente de Carvalho e Maria Aparecida é de 2 km a pé e 3,4 km de carro ou ônibus. A prefeitura liberou passe escolar para o transporte dos alunos do bairro Jardim Vicente de Carvalho.

A perda da quadra, a aglomeração de alunos, a infraestrutura proposta, a falta de comunicação com a comunidade e até a nova distância percorrida pelos alunos foram questionados por pais de alunos e descritas em uma petição online assinada por 2.119 pessoas até o fim desta reportagem.

No abaixo-assinado, a porta-voz do pais de alunos, Lucélia Terezinha Avelino, pede respeito aos estudantes das duas escolas. "Acho importante frisar que não somos contra a vinda dos alunos de Vicente de Carvalho. Nossa preocupação é com todos os alunos. Essa super lotação trará prejuízos pedagógicos; vão perder a quadra, o direito ao esporte; as áreas comuns ficarão lotadas; o barulho excessivo pode prejudicar o ensino; e nós não fomos ouvidos", disse Lucélia em entrevista.

REUNIÕES

O diretor Regional de Ensino, João Bosco Guimarães, concedeu entrevista exclusiva ao Sistema Costa Norte de Comunicação, e esclareceu todos os pontos questionados e garante que os pais foram comunicados. "No final de novembro e começo de dezembro de 2019, nos reunimos com as três escolas envolvidas e fizemos a primeira reunião com responsáveis pelas escolas. Paralelo a isso, fizemos reuniões com a comissão de pais, diretoras, supervisor e secretários do município, para que os pais sentissem que não é um movimento brusco, nem impensado", declarou.

Bosco lembrou que diversas reuniões foram realizadas na escola e no dia 16 de dezembro, foi elaborado um plano de trabalho com todas as ações previstas divulgadas para os envolvidos. "Preciso lembrar que essa situação das oito salas não é definitiva até ser construída a nova escola. Estamos procurando imóveis desde o ano passado para utilizar durante o dia e abrimos um chamamento público para encontrar o lugar adequado", disse Bosco.

A data prevista para conclusão das obras na quadra do Bellegarde é de 60 dias. No entanto, Bosco alerta que o objetivo é reduzir o prazo para 30 dias, para que os alunos voltem às aulas o quanto antes. "Eles não vão ficar lá o tempo todo. Assim que encontrarmos o local ideal, será alugado e os alunos serão realocados", explicou.

QUADRA

Questionado sobre o destino das salas construídas na quadra após a saída dos alunos, Bosco respondeu que a decisão é da escola. "A escola pode entender que esses espaços podem ser utilizados para alguns ambientes que eles achem importante, por exemplo, uma sala de informática maior, um anfiteatro maior, um laboratório maior. Eles vão decidir se querem que desmonte ou não".

Neste momento, as aulas de educação física de todos os alunos que estiverem no Bellegarde serão ministradas no Ginásio Municipal de Esportes Alberto Alves, localizado ao lado da escola (avenida Manoel da Nóbrega, 273). Segundo Bosco, o prefeito Caio Matheus se comprometeu a emprestar o ginásio e conciliar os horários de treinos das modalidades oferecidas no equipamento com a grade das aulas de educação física de ambas as escolas.

FABE

No ano passado, em meio à procura por imóveis para os alunos do ensino fundamental, o estado encontrou solução com a Faculdade Bertioga (Fabe), que cedeu as instalações durante o período diurno em troca de um contrato de aluguel. No entanto, o processo de aluguel foi negado pelo setor jurídico do governo e os alunos ficaram por apenas seis meses, até o mês de dezembro de 2019.

O vereador Ney Lyra (PSDB), em entrevista ao programa Café da Manhã, da TV Cultura Litoral - 48.1 UHF, criticou as ações do governo e destacou a dívida do estado com a Fabe. "Essa confusão que deu com a Fabe de usar a faculdade e não pagar é o seguinte: usaram por seis meses, deu prejuízo de água, luz, telefone, limpeza, papel higiênico, ar condicionado, algumas cadeiras quebradas e até agora não pagaram nada". 

Bosco alegou durante a entrevista que a equipe da Fabe foi cortes e atenciosa em receber os alunos antes do contrato de locação e cederam oito salas durante a manhã e a tarde. "Para fazer a locação tem que obedecer um decreto antigo de locação, o 41043/96. Esse processo foi negado pela consultoria jurídica por falta de alguns documentos. Naquele momento sentamos com a Fabe e definimos que a partir de dezembro os alunos não ficariam mais lá".

O processo de locação então foi revertido para um processo indenizatório. "Demos entrada e está tramitando em São Paulo para que a Fabe não tenha perdas financeiras. Nós pensamos em aproximadamente R$ 100 mil. É um valor estimado, pode ser mais ou menos", informou o diretor.

RECONSTRUÇÃO

A E. E.  Vicente de Carvalho está interditada desde junho de 2019 devido a problemas estruturais, que causava risco aos alunos. A expectativa para a reconstrução da escola é de 36 meses, conforme explicou o secretário executivo de Educação do estado de São Paulo, Haroldo Rocha, em entrevista no dia 22 de janeiro: "Vai precisar estaquear o terreno, que foi o problema principal - a unidade foi construída sem estaqueamento, por isso cedeu e há risco. É necessário ser construída uma nova escola". 

Na unidade a ser reconstruída, o secretário executivo acredita que o modelo a ser adotado seria de Programa de Educação Integral (PEI), em que os alunos ficam o dia inteiro na escola. "Seria a primeira do estado no município", comentou Haroldo Rocha. 

O diretor regional, Bosco, explicou que a nova escola seguirá um modelo mais moderno, com três pavimentos, com 15 salas de aula e 3 salas ambientes: informática, sala de leitura e laboratório/preparo; e quadra coberta integrada ao prédio. Serão 3.586,33 m² e um investimento de R$ 10 milhões.

OUTROS INVESTIMENTOS

Além das obras de reconstrução da E.E. Vicente de Carvalho, E.E. Armando Bellegarde foi integrada ao programa Escola + Bonita e receberá R$ 900 mil para reforma e adequação de acessibilidade, troca de vidros, manutenção de rede hidráulica e elétrica, cobertura e pintura geral.

Outros investimentos estão planejados para a educação no município, entre eles, a destinação de R$ 350 mil para melhorias na Escola Estadual William Aurelli e R$ 3 milhões para a construção de uma nova creche no bairro do Indaiá.