O biólogo Edris Queiroz Lopes, da cidade de Peruíbe, realizou um estudo pioneiro que identificou mutações ósseas em tartarugas marinhas. Ele afirmou que o estudo pode indicar uma adaptação dos animais ao lixo jogado nos oceanos.

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Edriz é coordenador do projeto SOS Tartarugas e iniciou o estudo ao notar uma grande quantidade de tartarugas encalhadas e mortas no litoral paulista. Ele aproveitou a pesquisa e levou as tartarugas para o seu projeto de doutorado em São Paulo, na Faculdade de Medicina Veterinária e Zoologia da USP, na qual estuda anatomia e a morfologia dessa espécie.

Ele aprofundou os estudos a respeito da anatomia dos animais e, entre as cinco espécies de tartarugas marinhas que podem ser encontradas no litoral brasileiro, escolheu as tartarugas verdes (Chelonia mydas). Em um primeiro momento identificou um fator preocupante, 80% dos animais mortos tinham consumido lixo.

Durante esse processo, enquanto fazia a montagem dos esqueletos, percebeu que dois ossos sempre sobravam nas tartarugas marinhas. "Eu não sabia o porquê e pesquisando na literatura científica mundial não encontrei nada relacionado a isso. Então decidi fazer uma tomografia computadorizada pra ver se eu descobria o porque desses ossos estarem sempre sobrando", explicou.

Na avaliação, ele localizou na estrutura de um crânio, principalmente na parte da boca, um osso no local chamado aparato hióide. "Descobri que os dois ossos que sobravam estavam presentes nessas estruturas e precisei comprovar cientificamente, em laboratório, através de uma microscopia eletrônica de varredura e de uma histologia. Assim ficou comprovado que era um osso verdadeiro".

O biólogo realizou uma publicação em um artigo internacional com os resultados, citando a nova estrutura. "O passo seguinte é compreender porque surgiu essa estrutura nas tartarugas marinhas. De 10 espécies que avaliamos, seis apresentavam essa nova estrutura, ou seja, alguma coisa esta acontecendo nesses animais, podem estar apresentando alguma mutação genética, pode estar ocorrendo alguma anomalia e tudo isso pode estar relacionado a poluição nos ambientes marinhos. Sabemos que a cada dia é maior o descarte de lixo nos mares e isso vem prejudicando vários animais, inclusive as tartarugas marinhas, que podem estar se adaptando a essa mudança constante que temos nos mares", disse.

Edris também destacou que está preparando novos estudos e que irá avaliar qual a função dessa nova estrutura óssea das tartarugas.