Na luta para combater a propagação do novo coronavírus (Covid-19), a prefeitura de Guarujá instalou barreiras para controlar os acessos rodoviários e também via balsas, com um serviço intermitente de 24hs. Mas, a determinação não tem chegado a todos, segundo denunciam moradores do bairro Cachoeira, região próxima dos condomínios e marinas localizados na Serra do Guararú. Eles têm acompanhado o ir e vir de helicópteros que trazem pessoas para estes locais. 

Ao longo da estrada Guarujá-Bertioga, há quatro helipontos, instalados em marinas e loteamentos de luxo.  O pescador Damião dos Santos Machado diz que há cerca de uma semana tem notado um aumento no número de pousos.  Ele vê toda a movimentação embarcado, no canal de Bertioga. "Na segunda-feira [dia 30] depois das 18 horas  vi cinco pousos, não estavam tirando gente, mas trazendo", disse ele na segunda-feira, 30. 

No dia 20 de março, a Associação de Amigos do Sítio Tijucopava emitiu um comunicado a seus condôminos de que uma jovem, hospedada no condomínio, tinha a exame positivo de Covid-19 estava em quarentena no local. No documento, a administração informou que havia avisado a Vigilância Sanitária do município e que estava tomando todas as providências necessárias, como isolamento da casa e dos residentes e proibição de visitação.

Sobre entrega de alimentos e remédios, o texto dizia que estava sendo seguido um protocolo de deixar na calçada e os residentes retirarem, com supervisão, ao longe, de um funcionário da associação. O texto finalizava com a seguinte mensagem: "Em solidariedade, estamos dando o apoio que for necessário, sem comprometer a segurança de todos".  

O secretário geral da Associação dos Moradores e Amigos da Cachoeira, Sidnei Bibiano Silva dos Santos afirma que muitos membros de famílias daquela região trabalham nos condomínios e estão com medo de serem contaminados.  "Os helicópteros não param. Nossos amigos e familiares continuam trabalhando lá e a gente não sabe por onde estas pessoas andam; eles viajam para fora do país", disse ele, também chamando a atenção para o grande movimento de lanchas e jet skys no canal de Bertioga. 

Sobre a denúncia, a prefeitura de Guarujá disse  lamentar que pessoas, proprietárias de imóveis na cidade ou não, estejam "se valendo de subterfúgios para burlar as barreiras montadas nas vias de acesso à cidade – seja com o uso de veículos de terceiros com placas da cidade, ou com o uso de aeronaves, na medida em que o município não detém o controle do espaço aéreo".

A administração municipal afirmou não ter recebido qualquer denúncia sobre este tema, mas que, agora, ciente da situação, providenciará uma diligência às marinas e loteamentos da cidade a fim de verificar a situação. Ainda segundo a prefeitura, serão exigidos comprovantes de propriedade, contratos de locação temporários e, ainda, se as regras de não-aglomeração de pessoas estão sendo seguidas nesses locais.

Denúncias relativas ao descumprimento dos decretos municipais e normas estipuladas para o controle e combate à pandemia do Covid-19 podem ser feitas pelo telefone 153. A ligação é gratuita e o serviço é 24 horas.