Os ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes protagonizaram um bate-boca no final do julgamento desta quinta-feira (22), no Supremo Tribunal Federal (STF), levando o ministro Luiz Fux a encerrar prontamente a sessão quando a situação começou a sair do controle.

Durante a discussão, Barroso acusou Gilmar de "manipular a jurisdição" ao "sentar em cima" do processo sobre a suspeição do ex-juiz Sergio Moro por dois anos e só pautá-lo após o ministro Edson Fachin anular as ações da Lava Jato contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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"Vossa Excelência sentou em cima da vista por dois anos e ainda se acha no direito de ditar regra para os outros", criticou Barroso. Ao fundo, Gilmar responde: "O moralismo é a pátria da imoralidade".

Barroso continua: "Não tem moralismo nenhum. Vossa Excelência cobra dos outros o que não faz. Fica criticando o ministro Fachin depois de ter levado dois anos com o processo embaixo do braço, esperou a aposentadoria do ministro Celso, manipulou a jurisdição. Ora, depois vai e acha que pode ditar regra para os outros". Ao que Gilmar rebateu: "Vossa Excelência perdeu, perdeu".

O presidente da Corte, ministro Luiz Fux, tentou interferir na briga e encerrar a sessão, afirmando que concedeu a palavra a todos. Ao ver que a discussão começava a escalar, informou que finalizaria o julgamento. "Me perdoem, não gosto de cassar a palavra de ninguém, não gosto de cassar as palavras dos colegas, mas está encerrada a sessão", decretou, cortando o microfone dos ministros.

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A confusão começou após Gilmar defender seu entendimento de que a Segunda Turma tinha competência para julgar a suspeição de Moro, posição referendada pela maioria do plenário na sessão desta quinta. Ao criticar o colega, Barroso relembrou que foi o próprio Gilmar quem pediu vista nos autos da suspeição de Moro em 2018, e só os devolveu para julgamento após Fachin anular todos os atos do ex-juiz da Lava Jato ao reconhecer a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar Lula.

Os ministros do STF formaram maioria para manter a decisão que decretou a suspeição do ex-juiz Sergio Moro nos processos que envolvem o ex-presidente Lula. O placar atual é de 7x2 contra Moro, ainda faltam votar o ministro Marco Aurélio Mello — que pediu vista e interrompeu o julgamento — e o próprio Fux, que preferiu não votar antes do colega.