Acatando tese do MPSP, o Judiciário paulista negou recurso apresentado por um homem condenado em Assis por tentativa de feminicídio triplamente qualificado e lesões corporais. Denunciado pelo promotor Eduardo Henrique Amancio de Souza, o réu José Roberto da Silva foi sentenciado em novembro de 2019 a 22 anos de prisão, porém apelou buscando afastar as qualificadoras da tentativa de homicídio, alegando ainda embriaguez e violenta emoção nos crimes de lesão corporal. Com a decisão da 4ª Câmara de Direito Criminal, contudo, a pena imposta em primeira instância fica mantida.De acordo com a denúncia da Promotoria, o réu foi casado por 37 anos com Maria José Santos da Silva, mas sempre apresentou comportamento agressivo e violento contra ela. Por este motivo, a mulher separou-se do agressor cerca de três meses antes dos crimes, passando a morar com a mãe, Iracema Pegorari Santos. Depois de um período perseguindo e ameaçando a ex-mulher, Silva invadiu a casa onde as vítimas residiam e se escondeu atrás de uma porta, surpreendendo Maria José com diversos golpes de faca pelo corpo. Apesar da idade avançada, Iracema tentou defender a filha, mas também foi atingida pela arma. Atraídos pelos gritos, os vizinhos Rodrigo da Silva Carvalho e Luís Carlos dos Santos entraram na casa na tentativa de interromper as agressões, porém acabaram golpeados pelo réu.

 Ao negar provimento ao recurso, a Justiça considerou, entre outros pontos, que Silva agiu empregando recurso que dificultou a defesa da vítima, pois preparou verdadeira tocaia para ela, além de ter praticado o crime por motivo fútil (inconformismo com o fim do casamento), com meio cruel e por razões da condição de sexo feminino.MPSP