O governo de São Paulo recuou todas as regiões do estado para as fases vermelha ou laranja do Plano São Paulo em reclassificação extraordinária realizada no Palácio dos Bandeirantes, no início da tarde desta sexta-feira, 22. As duas fases são as mais restritivas do degradê paulistano; nenhuma cidade permaneceu na fase amarela. 

Além disso, como medida emergencial para conter o avanço alarmante da covid-19, mesmo as regiões que recuaram para a fase laranja vão permanecer na fase vermelha todos os dias durante a noite e a madrugada e aos finais de semana. Este panorama é a caso da região da Baixada Santista, anteriormente na fase amarela. As mudanças passam a valer a partir de segunda feira, 25, e segue até a dia 8 de fevereiro. Porém, membros da equipe do Centro de Contingência do governo estadual recomendaram às prefeituras que comecem imediatamente a fazer as adaptações e a tomarem as providências necessárias para atenderem o recuo. 

Na nova reclassificação, que endurece as restrições em todo o estado, dez regiões (78% da população) passam à fase laranja e sete (22% da população) passam a fase vermelha. Na fase atual, seis regiões estavam na fase amarela (67% da população), dez regiões na fase laranja (31%) e apenas uma região (2%) estava na fase laranja. 

Também foram apresentados os números atualizados de avanço da covid-19 que justificam o recrudescimento das medidas protetivas. Segundo membros do centro de contingência da covid-19, atualmente o estado tem um óbito, em decorrência da covid-19, a cada seis minutos. Em três semanas o número de óbitos aumentou 96% e mais de mil leitos de UTI foram ocupados no mesmo período. 

Além das medidas emergenciais, o governo estadual anunciou que reativará o hospital de campanha de Heliópolis e que vai abrir 756 novos leitos em hospitais do estado, dos quais 306 serão de UTI.

Porém, de acordo com o médico João Gabbardo, Coordenador Executivo do Centro de Contingência da Covid-19, apenas aumentar a quantidade de leitos, sem atenção aos indicadores de evolução da doença, é um "cálculo fúnebre". 

Na abertura da reclassificação, o governador João Doria se pronunciou sobre o atual momento do Brasil e de São Paulo. Ele justificou as mudanças e conclamou a sociedade a colaborar com a contenção do vírus. “Antes que os efeitos da vacinação possam ser obtidos, e que milhões de brasileiros possam ser vacinados. Todos nós precisamos lidar com a dura realidade que a pandemia nos impõe neste momento. O aumento do número de casos, internações e óbitos é extremamente preocupante. E o crescimento da ocupação de leitos de UTI também é preocupante. Até que tenhamos milhões de brasileiros vacinados e protegidos, a interrupção desse ciclo do vírus precisa de medidas para conter a propagação do vírus em São Paulo.”

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Casos Covid e índices de ocupação de UTI no estado de São Paulo

O governo estadual tenta conter a pior semana epidemiológica da história. Nas primeiras três semanas deste ano, de 1º de janeiro até dia está quinta-feira, 21, os casos aumentaram 42% em comparação com o mesmo período de dezembro. O número de mortes aumentou 39% no mesmo período. 

O estado de São Paulo registra atualmente 1,66 milhão de casos e 50,6 mil mortes desde o início da pandemia. A taxa de letalidade estadual, atualmente em 3%, supera a do Brasil, que está em 2,5%, e a do mundo, no patamar de 2,1%.  

Segundo os últimos dados do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do governo de SP, a taxa de ocupação de UTIs covid do estado ultrapassou a temida marca de 70%, chegando à  71,1% nesta quinta-feira, 21. Ou seja, de cada mil leitos de UTI covid no estado, 711 estão ocupados. Há registros de cidades estaduais que não possuem mais leitos de UTI. Especialistas também projetam que a pico do aumento ainda não chegou, o que deve ocorrer no início de fevereiro. 

Apesar de a porcentagem de ocupação de leitos estar mais baixa na Baixada Santista (atualmente na fase amarela) do que na região metropolitana da Capital, a região litorânea também apresenta preocupante tendência de alta. A taxa de ocupação dos leitos, atualmente em 45,73%,  aumenta na região há seis dias seguidos, desde o dia 15 de janeiro. 

Fase Vermelha

A fase vermelha é a mais restritiva do plano São Paulo. Nela, bares, restaurantes, shopping centers e comércio não essenciais são proibidos de funcionar. Será esse o panorama de todo o estado, inclusive da Baixada Santista, a partir da próxima segunda-feira, 25.  

Fase laranja

Ampliação das atividades permitidas para todos os setores;

Capacidade limitada de 40% de ocupação para todos os setores (era de 20%);

Funcionamento máximo de estabelecimentos de 8h (era de 4 horas);

Parques estaduais abertos; 

Proibição de atendimento presencial em bares; 

Atendimento presencial proibido em todos os estabelecimentos após as 20h;  

Como chegamos até aqui

A reclassificação desta sexta-feira, 22, é a segunda extraordinária realizada em uma semana. As reclassificações deste tipo podem ocorrer a qualquer tempo quando a pandemia começa a dar sinais de que pode sair de controle.

A última reavaliação ordinária ocorreu em 08 de janeiro, momento em que se planejava que a próxima reclassificação seria em 05 de fevereiro. Nesse ínterim os números da pandemia começaram a se acentuar para níveis preocupantes.

Como funciona o Plano São Paulo

A reavaliação das cidades, de acordo com as normas do Plano São Paulo, leva em conta os indicadores da pandemia dos municípios e das regiões. Hipoteticamente, quanto mais altos forem a taxa de ocupação dos leitos de UTI exclusivos para pacientes com coronavírus, o número de óbitos e de novas internações no mesmo período, mais restritiva será a fase do Plano em que será inserida a cidade. O período considerado nas contagens pode variar, atualmente contabiliza-se os dois últimos intervalos de 7 dias, que  que são comparados entre si. Anteriormente, eram comparados dois períodos de 28 dias. 

Ou seja, no caso da reavaliação desta quinta-feira, foram comparados os indicadores da pandemia dos últimos quatorze dias. Em tese, se os indicadores apresentarem melhora, a região vai para uma fase menos restrita, se apresentarem piora, vai para uma mais restrita. Se apresentaram estabilidade, a região permanece na fase onde estava. 

As fases do Plano São Paulo são vermelha, laranja, amarela, verde e azul. A vermelha é a mais severa e a azul a menos restritiva. A fase vermelha é acionada quando a capacidade hospitalar está em risco ou a pandemia avança em velocidade acelerada. Nesta fase, apenas serviços essenciais são mantidos.